Juliana Ribeiro
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DISCOS

e PARTICIPAÇÕES

“Ela é filha do Sol e de Oxum, pertence ao signo de Leão e tem como o elemento chinês o Fogo. A descrição de sua personalidade leva então a escolha do título do seu primeiro CD: Amarelo.”

O trabalho é resultado de uma vasta pesquisa que traz a inusitada harmonia entre os ritmos jongo, semba angolano, batuque, MPB, lundu, ijexá, maxixe e o samba. Dessa forma, a cantora se apresenta no palco de forma plena, sem rótulos ou limitações.

O repertório é formado por composições próprias e de grandes nomes do cenário musical baiano como Roberto Mendes, J. Veloso, Tiganá Santana e Reginaldo Souza – feitas especialmente para a cantora. Completa ainda o CD músicas embaladas nestes dez anos de carreira e uma nova interpretação da música “Zé do Caroço”, composta por Leci Brandão.

Cada faixa carrega um significado especial para Juliana. “Eu vim das Águas” foi composta para Yemanjá, “Gostaria de homenageá-la e agradecê-la pela companhia de toda uma vida. Sonhei com o refrão e assim que acordei compus a letra e a melodia” disse. “Xica Xangô de Ouro”, escrita pelo irmão da cantora, Arthur Ribeiro, é uma homenagem aos nossos ancestrais e chama atenção pela sonoridade do ijexá. “Edith” foi um presente de J. Veloso para D. Edith do Prato e para Juliana, que pôde ser a primeira a interpretá-la.

No palco, a cantora usa e abusa de recursos de voz e movimento de corpo para apresentar um verdadeiro espetáculo. A união entre o cenário, assinado pelo premiado Rodrigo Frota, e a iluminação projetada por Pedro Dultra, faz alusão ao Sol e a à cor amarela, em referência ao nome do CD e identidade da cantora, conferindo dramaticidade teatral ao palco. Entre uma interpretação e outra, Juliana entretém o público com histórias sobre os ritmos apresentados e que narram a trajetória do samba na Música Popular Brasileira. “É um espetáculo que reúne três séculos de canções”, diz. Um dos momentos mais aguardados do show é a música “Atraca Atraca”, que traz o rítmo afro-brasileiro Jongo. Para ilustrá-lo, a coreógrafa, dançarina e professora Vânia Oliveira é convidada a assumir o palco junto ao grupo de mais três dançarinos. “ A intenção é que a plateia compreenda mais sobre os ritmos também através da dança”, explica Juliana.

Os shows de lançamento do CD na Bahia já são uma unanimidade. Com sucesso de público e crítica, e direção musical de Duarte Velloso, Juliana Ribeiro agora trabalha para expandir sua carreira na cena musical brasileira e internacional.

MÚSICAS

01 - Areia

Ô Areia, Ô areia, are…ia, ia
Ô Areia, Ô areia, are…ia, ia

Abre o meu caminho Areia
Que eu quero passar
Sou pequenininho
Filho de Oxalá

Refrão

Berimbau tocou Areia
Mandou me chamar
Oi, me dá licença
Mãe Iemanjá

Refrão

Lá no Terreiro
Aprendi lição
Do samba no pé
E da palma de mão

Dá licença moço
Que eu quero passar
Sou pequenininho
Mas eu chego lá

Refrão

02 - Beira de Maré

Juliana Ribeiro e Tito Fukunaga

Beira de Mar, beira de maré
Maré sem fim (2x)

Abre a porta da licença
Me apresento por aqui (2x)

Vim de longe, eu não sou daqui
De outros mares eu vim
Canoa foi companheira
Farol, luz a me guiar
Brincando de marinheiro
Peixinho de água do mar (2x)

Beira de Mar, beira de maré
Maré sem fim (2x)

Pelo mar vou navegando
Do jeito que eu vou eu vim (2x)

Na alma trouxe meu canto
Meu verso, meu patuá
Atracando nessa areia
Histórias eu vim contar
A lua branca me ouvindo
Calada a me contemplar (2x)

Beira de Mar
Beira de maré, maré sem fim (2x)

Vou-me embora, vou-me embora
Tão cedo não volto aqui (2x)

Vou seguindo o meu caminho
Meu destino a navegar
Baías e enseadas
Moradas de Yemanjá
Confesso não me despeço
Prefiro me retirar (2x)

Beira de Mar, beira de maré
Maré sem fim

Pelo mar vou navegando
Do jeito que eu vou eu vim (2x)

03 - Lição de Vida

Compositor: Reginaldo Souza
Intérprete: Juliana Ribeiro

Papai era pescador, mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na feira

Vendendo beiju na feira, nunca me faltou o pão
Comprava com meus trocados, carne, arroz e feijão

Papai era Pescador, mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na Feira

Era assim que papai dizia; amanhã não vou pescar
Pois é dois de fevereiro, vai haver festa no mar
Vou levar os meus presentes, bem cedinho quero chegar
Para ser um dos primeiros a saudar Iemanjá

Papai era pescador
Papai era pescador

Papai era Pescador, mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na Feira

A noite ia pra escola, às vezes de pé no chão
Na base do candeeiro, estudava a lição
Me formei em bacharel, e digo com todo amor;
Mamãe era lavadeira, papai era pescador

Papai era pescador
Papai era pescador

Papai era Pescador, mamãe lavadeira
Eu ganhava meus trocados
Vendendo beiju na Feira

05 - Isto é Bom

O inverno é rigoroso
Já dizia minha avó
Quem dorme junto tem frio
Quanto mais quem dorme só

Isto é bom, isto é bom, isto é bom que dói,
Istoé bom isto é bom, isto é bom que dói

Se eu brigar com meus amores
Não se intrometa ninguém
Que acabando-se os arrufos, ou eu vou ou ela vem

REFRÃO

Quem vê mulata bonita,
bater no chão com o pezinho
Quem vê mulata bonita,
bater no chão com o pezinho

No sapateado ao meio
Mata o meu coraçãozinho

REFRÃO
Ai dói, dói, dói, as cadeiras me dói, dói dói.

Minha mulata bonita
Vamos ao mundo girar
Vamos ver a nossa sorte
Que Deus tem para nos dar

REFRÃO

Minha mulata bonita
Quem te deu tamanha sorte
Foi o soldado de Minas
Ou do Rio Grande do Norte

REFRÃO

Minha viola de pinho
Eu mesmo fui o pinheiro
Quem quiser ter coisa boa
Não tem amor ao dinheiro

REFRÃO
Ai dói, dói , dói, as cadeiras me dói, dói, dói.

06 - Eu vim das Águas

Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas
Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas

Do profundo sei que vim
Com a benção de Nanã
Trouxe o Azul dentro do peito
Herança matriz
Que me faz transbordar

Odoyá! Saluba, Nanã!
Ora yê, minha Mãe!
Te peço licença
E com muito respeito
Me ponho a cantar
(pois eu vim)

Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas
Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas

Me criou desde menina
Catando conchinhas na areia
Em você curei minhas mágoas
Refiz minha cabeça
Encontrei meu lugar

É do Mar
Essa força corrente
Guiando meu ser
Limpa meus pensamentos
Acalma minh’alma
Me ensina a viver
(pois eu vim)

Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas
Eu vim das Àguas, aê
Eu vim das Àguas.

07 - Batuque na Cozinha Quê, quê, rê, quê

Martinho da Vila e João da Baiana

Batuque na cozinha, sinhá não quer
Por causa do batuque eu queimei meu pé

Não moro em casa de cômodo, não é por ter medo não
Na cozinha muita gente, sempre dá em alteração

Batuque na cozinha, sinhá não quer
Por causa do batuque eu queimei meu pé

Então não bula na cumbuca, não me espante o rato
Se o branco tem ciúme quem dirá o mulato
Eu fui na cozinha pra “panhá” cebola
E o branco com ciúme de uma tal crioula
Deixei a cebola peguei na batata
E o branco com ciúme de uma tal Mulata
Peguei no balaio pra medir a farinha
E o branco com ciúme de uma tal branquinha
Então não bula na cumbuca, não me espante o rato
Se o branco tem ciúme quem dirá o mulato

Batuque na cozinha, sinhá não quer
Por causa do batuque eu queimei meu pé

Eu fui na cozinha pra apanhar o café
E o malandro ta de olho na minha mulher
Mas comigo apelei pra desarmonia e fomos direto para delegacia
Seu comissário foi dizendo com altivez: é da casa de cômodo da tal Inês!
Revistem os dois, bote no xadrez
Malandro comigo não tem vez

Batuque na cozinha, sinhá não quer
Por causa do batuque eu queimei meu pé

Mas seu comissário eu estou com a razão
Eu não moro na casa de arrumação
Eu fui apanhar meu violão, que estava empenhado com o Salomão
Eu pago a fiança com satisfação,
Mas não me bota no Xadrez com este malandrão
Que faltou com respeito ao cidadão e é Paraíba do norte , Maranhão

Batuque na cozinha, sinhá não quer
Por causa do batuque eu queimei meu pé
* * *
Oi Quê quê rê quê quê oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’Ganga
Oi Quê quê rê quê quê oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’Ganga
Oi cambinda, cambinda cambinda aiê
Chora na Macumba oi N’ganga
Oi cambinda, cambinda cambinda é só
Chora na Macumba oi N’ganga
Olôio na Macumba oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’ganga
Olôio na Macumba oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’ganga
Atotô, atotô, atotô aiê
Chora na Macumba oi N’ganga
Atotô, atotô, atotô é só
Chora na Macumba oi N’ganga
Oi Quê quê rê quê quê oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’Ganga
Oi Quê quê rê quê quê oi N’ganga
Chora na Macumba oi N’Ganga

08 - Edith

Jota Veloso

É de ti que o samba vem, É de ti
Que o samba vem, é de ti
Que o samba vem, é de ti
Que o samba vem

É de ti que vem o prato
Cheio de versos sagrados
Com um samba com passado
Vibrando na sua voz

Rainha da Alegria
Dos risos e riachos
Ela samba com o passo
Dos Caboclos do Amparo

REFRÃO

É de ti que vem o prato
É de ti que vem o samba
Edith que sai na roda
Vai pra casa pra brincar

Ela está em toda casa
onde o samba está vivo
Carregando o Rosário
Dos sambas nunca esquecidos

É de ti que o samba vem, É de ti
Que o samba vem, é de ti
Que o samba vem, é de ti
Que o samba vem

09 - Xica de Xangô de Ouro

Arthur Ribeiro

Ouro de Xica Xangô
Ouro que meu pai na pele criou
Assim como o pai do pai do meu avô

Quantos generais, padres, capitães
Quantos cardeais se dobraram a Xangô
Montanha da paz, sendero do amor
Luz de São Tomáz, da capela Xangô

REFRÃO

Seu tempo de cor desbotada
De pele madura e tão sábia
Sabiam demais
Seus olhos imortais das senzalas

Tambores de som de mata
A mão calejando a cabaça
Gritam crêem de Deus pai
À porrada bruta do carma

Projetar, projetar
No além daqui, no além daqui
E além do além mar
Um anjo vai sorrir
E rindo vai contar
O que ela fez aqui
E o que ela ainda fará
De milagres em mim

Ouro de Xica Xangô
Ouro que meu pai na pele criou

11 - Zé do Caroço

Zé do Caroço
Leci Brandão
Lelelelê Lelelelelelelelelê
Lelelelê Lelelelelelelelelê
No serviço de auto-falante
Do morro do Pau da Bandeira
Quem avisa é o Zé do Caroço
Que amanhã vai fazer alvoroço
Alertando a favela inteira
Como eu queria que fosse em mangueira
Que existisse outro Zé do Caroço (Caroço, Caroço)
Pra dizer de uma vez pra esse moço
Carnaval não é esse colosso
Nossa escola é raiz, é madeira
Mas é o Morro do Pau da Bandeira
De uma Vila Isabel verdadeira
O Zé do Caroço trabalha
O Zé do Caroço batalha
E que malha o preço da feira
E na hora que a televisão brasileira
Distrái toda gente com a sua novela
É que o Zé põe a boca no mundo
Ele faz um discurso profundo
Ele quer ver o bem da favela
Está nascendo um novo líder
No morro do Pau da Bandeira
Está nascendo um novo líder
No morro do Pau da Bandeira
No morro do Pau da Bandeira
No morro do Pau da Bandeira

12 - Atraca Atraca

Atraca, atraca
Que vem Nanã ê ê
Atraca, atraca
Que vem Nanã ê á

É Nanã rainha do mar
É Nanã mamãe Iemanjá
É Nanã que eu vou saravar ê á

“ Sou de Nanã Ewá
Ewá, Ewá, Ê
“ Sou de Nanã Ewá
Ewá, Ewá, Ê”

13 - Gratidão à Vovó

Compositor: Reginaldo Souza
Intérprete: Juliana Ribeiro

ME LEMBRO QUANDO CRIANÇINHA
MINHA MÃE DIZIA NÃO LHE DEIXO SÓ
VOU TRABALHAR PRA AJUDAR O SEU PAI
E PRA FACILITAR
FIQUE COM SUA VÓ

COMIDA GOSTOSA FAZIA A VOVÓ
QUE SAUDADE DA VOVÓ
COMIDA GOSTOSA FAZIA A VOVÓ
QUE SAUDADE DA VOVÓ

FAZIA MOQUECA DE PEIXE
ASSADO DE PORCO
ATÉ MOCOTÓ
FAZIA UM TAL ESCALDADO
COM ABÓBORA, MAXIXE, QUIABO, JILÓ
COMIDA GOSTOSA FAZIA A VOVÓ

REFRÃO

FAZIA PIRÃO DE LEITE
PRA GENTE COMER COM CARNE DO SOL
GALINHA ERA DE MOLHO PARDO
COM FEIJÃO TROPEIRO,
FAZIA BOBÓ
COMIDA GOSTOSA FAZIA A VOVÓ

REFRÃO

QUANDO A GRANA TAVA CURTA
A PROVIDÊNCIA ERA MUITO MAIOR
FAZIA UM ARRUMADINHO
E COM TODO CARINHO
AGRADEÇO A VOVÓ

FICHA TÉCNICA

Concepção e pesquisa: Juliana Ribeiro

Direção e arranjos: Duarte Velloso

Concepção percussiva: Ricardo Hardmann

Produção: Balu’Art Produções

Designer e fotografias: Marcelo Mendonça

Musicos: Duarte Velloso – violão/ André Tiganá- Baixo / Ricardo Hardmann e Wilton Batata – Percussões/ Luciano Chaves e Kiko Souza – Flautas e Saxofones/ Sergio Muller – Cavaquinho/ Jelber Oliveira – Teclados e Sanfona/ João Teoria- Trompetes/ Robson Cunha- Bateria / Neto Costa e Gil Alves- Backing Vocals

GRAVAÇÃO E MIXAGEM: DUARTE STUDIO

TÉCNICO DE GRAVAÇÃO E MIXAGEM: DINHO FILHO

MASTERIZAÇÃO: ANDRÉ TIGANÁ-Estúdio AT

GRAVADO ENTRE DEZEMBRO DE 2010 E FEVEREIRO DE 2011

CD Juliana Ribeiro - Amarelo

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EP

PARTICIPAÇÕES

EP Juliana Ribeiro, lançado em 2009
CD " Essência" de Hamilton Hafif, interpretando " Azulejou";
CD " Samba de Botequim" de Pedro Abib, interpretando " Se a Cuíca Gemer";
Coletânia Grão de Música , canção " Eu Vim das Águas" , de sua autoria;